A história de Edward Masen
Por Edward Masen Carpenttiere
A tarde estava fria e o mar diante dele agitado pelos ventos que vinham do sul indicando que uma tempestade estava a caminho. O vampiro suspirou dedilhando os dedos por seus cabelos dourados que estavam bagunçados devido a ventania, se virou e adentrou a casa. Estava sozinho como em todos os outros anos, vestindo apenas uma bermuda clara e chinelos havaiana, porém neste inverno onde ele procurava esconder-se da família e de qualquer ser humano, trouxera consigo uma lembrança, a única de que ele não pretendia se desfazer. Com cautela abriu o brasão que estava em seu pulso, ali escondida estava a foto da mulher que roubara o coração morto de Edward. Enquanto andava entre os móveis da sala de estar observava a fotografia recém tirada, ele conseguira um ângulo perfeito do rosto feminino, um sorriso brotava no canto dos lábios da morena que quase não sorria uma de suas características mais marcantes. Os cabelos escuros desciam em cascatas cobrindo até a altura do busto, ela usava um vestido preto com detalhes em pedras preciosas que ele lembrava ser longo apesar da foto mostrar apenas o colo pálido e a face rosada por estar constrangida com o sorriso inesperado, e sapatos que adornavam os pés pequenos e delicados daquela senhora. Sentou-se na banqueta do piano que ficava num canto a direita da sala, móveis brancos e aritméticos preenchiam o ambiente, um sofá em formato retangular, a mesinha de centro octogonal e em vidro eram os únicos de que ele geralmente precisava, ignorando a mesa de jantar também de vidro ou a cristaleira que ocupava toda a parede lateral. Olhou novamente a foto e se virou para o piano abrindo o tampo sem precisar olhar, conhecia o instrumento como se fosse as curvas daquela mulher, que apesar dele não ter tocado, estavam gravadas como fogo em sua memória. Deixou a foto no lugar da partitura e enquanto encarava o sorriso roubado, compunha uma canção.
A música começou solitária, notas únicas sendo tocadas uma a uma até que a mão direita acompanhou uma delas com um acorde menor e cheio, o som preencheu a sala, o barulho das ondas como uma percussão indicando o ritmo de que ele precisava. A música ainda melancólica ganhou vida como o brilho daqueles olhos na única noite em que dançaram juntos, um acorde maior seguiu outro e o tom baixo foi substituído por uma mais agudo, a voz feminina assemelhava-se aquele som, o vampiro sorriu e fechou os olhos, podia sentir a presença dela mesmo sabendo que jamais a veria novamente. Ao fim voltou a dedilhar as notas iniciais, deixando o som se perder com o barulho do mar. Respirou profundamente algumas vezes e fechou o piano, o inverno seria longo com aquela lembrança, por um momento ele desejou que sua existência acabasse naquele momento, porém negou-se a fraqueza, algum dia ele a encontraria mais uma vez.
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