sexta-feira, 3 de junho de 2011

(leia debaixo para cima. A história está sendo escrita em mini capítulos)

            Alguns meses se passaram desde que se mudara para o castelo onde Agatha vivia. Era noite agora e ele olhava pela janela de seu quarto observando alguns vampiros recém criados caçarem, eles avançavam com gula sobre os humanos estraçalhando as gargantas e fazendo uma sujeira desnecessária, Edward tentava ignorar os gritos de horror e o último pensamento daquelas pessoas que estavam morrendo, pois sabia que aquilo o perturbaria em demasia. Gemeu ao se recordar de quem teria de limpar aquilo, pois como se recusava a entrar na dieta dos Volturi estes o torturavam fazendo limpar a bagunça dos novatos, o cheiro do sangue humano trazendo o desejo de ceder a vontade de Marcus, mas estava ciente que um pequeno gole o tornaria um assassino. O que aprendera com Carlisle nunca deixaria de ser verdade para ele.
            Fechou as cortinas e se jogou na cama kingsize de seu quarto que era amplo e possuía tudo ou mais coisas do que ele precisava. A cama com um dossel em madeira maciça, moveis rústicos e muito antigos que lembravam a época em que ele ainda era humano, completavam o cenário. As roupas que vestia também eram mais refinadas para poder se apresentar sempre a côrte em trajes apropriados, uma mania dos Volturi e também uma exigência. Edward não reclamava, apenas cumpria com as obrigações que ele próprio aceitara. Sentia saudade de casa e de Isabella, mas não tinha muito tempo pra pensar pois o ocupava quase todo com afazeres menores.
            Agatha era sempre amável com ele, várias vezes ouviu nos pensamentos da bruxa que ela o pedira como criado pois possuía intenções românticas com ele, mas ele se esquivara das tentativas de forma eficaz até agora, pois apesar de formosa, não lhe chamava a atenção pois pensava muito na morena dos olhos de amêndoa. Agatha era uma mulher esquia e loira, os cabelos cacheados chegando até a curva da cintura, o caminhar sempre feminino e gracioso, os olhos no tom vermelho característico daqueles que bebem sangue humano, era pequena mas ardilosa e várias vezes fora se deitar com Edward achando que este dormia, quando descobriu que não fingiu-se de desentendida e deu-lhe uma poção que o fazia adormecer quase todas as noites. Ela dizia que com o tempo o corpo vampiro voltaria a se comportar como humano e ele não precisaria mais das ervas. Edward não protestou, dormir o ajudava a parar de se lembrar, mais tarde descobriu que os sonhos com Isabella eram mais perturbadores que estar acordado.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Desde o principio

            Forks já não possuía nenhum atrativo para o vampiro desde que seu grande amor havia se casado com Jacob Black um dos lobos Quileutes. Diferente das histórias inventadas por uma romancista famosa dos dias de hoje, Edward não teria voltado do Rio de Janeiro quando soube que sua Bella se jogou do penhasco, mas seguira rumo a Volterra para executar o plano de suicídio, porém ao ser recebido pelos Volturi, Marcus viu atrativos melhores nele do que a morte e numa reunião secreta decidiram que manter Edward vivo seria melhor para os negócios. A principio ele se negou a participar dos planos de Aro e Marcus, se apresentando ao sol várias vezes diante dos humanos, recebeu castigos dolorosos de Jane e Alec, mas ele jamais cedera. Alice e os demais Cullen haviam localizado o rapaz, mas ele se negou a ir embora desacreditando de qualquer palavra sobre Bella estar viva.
            A ultima porém certeira cartada fora quando Alec e Jane conseguiram uma fotografia de Isabella Swan recém casada com Jacob Black, ela estava perfeita no vestido de noiva, ele se lembrava, as bochechas rosadas como da humana que ele amava. Quando viu a foto a dor da morte dela desapareceu substituída por um alivio cortante de que ela estava viva, que sua família não mentiu e que, casada com o cachorro do Jacob, ela teria a vida normal que Edward sonhara. Sua alma estava salva de certa forma. Apesar da dor que carregou seu peito de mármore, ele não iria atrapalhar decidido se apresentou a Marcus e aceitou as condições que este impusera sem discutir ou opor-se a nada.   
            _Voltará a se alimentar de humanos. – dissera ele – E serás aprendiz de Agatha, ela lhe pediu como criado.
            Edward fez uma careta quando fora comparado a um criado, mas estava feliz em preencher os pensamentos com as coisas terríveis que teria de fazer ao invés de choramingar como um adolescente por Isabella estar casada.
            _Aceito todas as condições, exceto matar. – dissera.
            Aro ponderou, os olhos brilharam com uma lembrança e ele fez um sinal de aceitação mandando que se retirasse de sua presença.
            Edward não imaginava o que o esperava a partir daquela noite.
A história de Edward Masen
Por Edward Masen Carpenttiere

            A tarde estava fria e o mar diante dele agitado pelos ventos que vinham do sul indicando que uma tempestade estava a caminho. O vampiro suspirou dedilhando os dedos por seus cabelos dourados que estavam bagunçados devido a ventania, se virou e adentrou a casa. Estava sozinho como em todos os outros anos, vestindo apenas uma bermuda clara e chinelos havaiana, porém neste inverno onde ele procurava esconder-se da família e de qualquer ser humano, trouxera consigo uma lembrança, a única de que ele não pretendia se desfazer. Com cautela abriu o brasão que estava em seu pulso, ali escondida estava a foto da mulher que roubara o coração morto de Edward. Enquanto andava entre os móveis da sala de estar observava a fotografia recém tirada, ele conseguira um ângulo perfeito do rosto feminino, um sorriso brotava no canto dos lábios da morena que quase não sorria uma de suas características mais marcantes. Os cabelos escuros desciam em cascatas cobrindo até a altura do busto, ela usava um vestido preto com detalhes em pedras preciosas que ele lembrava ser longo apesar da foto mostrar apenas o colo pálido e a face rosada por estar constrangida com o sorriso inesperado, e sapatos que adornavam os pés pequenos e delicados daquela senhora. Sentou-se na banqueta do piano que ficava num canto a direita da sala, móveis brancos e aritméticos preenchiam o ambiente, um sofá em formato retangular, a mesinha de centro octogonal e em vidro eram os únicos de que ele geralmente precisava, ignorando a mesa de jantar também de vidro ou a cristaleira que ocupava toda a parede lateral. Olhou novamente a foto e se virou para o piano abrindo o tampo sem precisar olhar, conhecia o instrumento como se fosse as curvas daquela mulher, que apesar dele não ter tocado, estavam gravadas como fogo em sua memória. Deixou a foto no lugar da partitura e enquanto encarava o sorriso roubado, compunha uma canção.
            A música começou solitária, notas únicas sendo tocadas uma a uma até que a mão direita acompanhou uma delas com um acorde menor e cheio, o som preencheu a sala, o barulho das ondas como uma percussão indicando o ritmo de que ele precisava. A música ainda melancólica ganhou vida como o brilho daqueles olhos na única noite em que dançaram juntos, um acorde maior seguiu outro e o tom baixo foi substituído por uma mais agudo, a voz feminina assemelhava-se aquele som, o vampiro sorriu e fechou os olhos, podia sentir a presença dela mesmo sabendo que jamais a veria novamente. Ao fim voltou a dedilhar as notas iniciais, deixando o som se perder com o barulho do mar. Respirou profundamente algumas vezes e fechou o piano, o inverno seria longo com aquela lembrança, por um momento ele desejou que sua existência acabasse naquele momento, porém negou-se a fraqueza, algum dia ele a encontraria mais uma vez.